Existem alguns filmes que são lançados e poucos segundos depois são esquecidos, existem também aqueles que entram para a história, não há como prever, não há como deduzir, não há como saber se tal projeto fará sucesso ou não. A questão é que filmes que entram para a história são atemporais, aqueles que resistem ao tempo e mesmo depois de anos de seu lançamento ainda fazem sentido para um público mais atual, um destes raros projetos é "De Volta Para o Futuro" que ano passado comemorou 25 anos desde sua estréia. Dirigido por Robert Zemeckis e produzido por ninguém mais que Steven Spielberg, o filme marcou e até hoje é visto como referência. Eu sempre soube de tudo isso, mas nunca parei para assistí-lo, até que tive tempo e oportunidade para vê-lo e aqui estou para escrever um pouco sobre o que achei deste universo criado por Zemeckis!
por Fernando Labanca
De Volta Para o Futuro (Back to The Future, 1985)

Conhecemos Marty McFly (Michael J.Fox) um jovem bem anos 80, com aquelas roupas descoladas, tem uma banda de garagem e uma namorada (Claudia Wells), não faz o tipo do bom aluno e por isso sempre consegue enlouquecer o diretor de sua escola e em casa, não há nada que lhe dê muito orgulho, família conservadora, sua mãe (Lea Thompson) que não aceita seus erros e seu pai "loser", George McFly (Crispin Glover) que é motivo de piada e é um verdadeiro fracasso como pai e como esposo, além de ser alvo de chacota de um antigo rival, Biff Tannen (Thomas F.Wilson). Para aliviar sua rotina, McFly é uma espécie de assistente de um ciêntista, o Dr.Emmett (Christopher Lloyd), também conhecido com Doc, que sempre tem idéias mirabolantes, eis que depois de anos em fase de experimento ele consegue realizar sua grande obra, a máquina do tempo.

Até que ele encontra Doc e prova que 30 anos depois ele criaria uma máquina do tempo, e os dois passam a trabalhar para fazer a retorno, ao mesmo tempo em que Marty precisa dar um jeito de impedir que sua existência seja anulada, logo que impediu o jovem George conhecer Lorraine, então passa a fazer com que os dois se encontrem, mas para isso, teria que alterar outro fato, fazer com que seu pai acreditasse um pouco mais em si mesmo.
Como eu disse, não demorei muito para compreender de que se tratava de um filme criativo e muito novo. "De Volta Para o Futuro" tem um excelente roteiro, consegue com perfeição seguir aquelas regrinhas básicas para prender a atenção do público, nos primeiros minutos, as personagens. Cada um é apresentado aos poucos, sem pressa, onde cada fala é essencial para suas caracterizações. A história já prende nos primeiros minutos, desde os cenários cheios de detalhes interessantes, à trama em si, onde as personagens muito carismáticas nos guiam para um mar de criatividade, numa obra nada previsível, onde cada próximo passo é incerto e o resultado 100% das vezes, agrada.
A história é fantástica, fato. Viagem no tempo sempre foi o fascínio de muitos cineastas e "De Volta Para o Futuro" sem sombra de dúvida figura entre as melhores obras sobre o tema. É tudo muito interessante, Marty McFly não presencia fatos históricos e tenta mudar a história mundial, ele se depara em sua pequena cidade, onde suas atitudes interferem em seu próprio futuro, em sua existência. Ele ao lado de seus pais jovens é realmente genial e este inusitado evento abre portas para boas sacadas, como por exemplo, sua mãe se apaixonar por ele, inovador para uma aventura quase que infantil. Tudo isso ajudado pela ótima trilha sonora de Alan Silvestre e os ótimos efeitos visuais e sonoros, bem avançados para a época. Não posso deixar de citar a ótima caracterização dos anos 50, desde os cenários aos ótimos figurinos.

Michael J.Fox é extremamente carismático, é um ótimo ator e chega até ser triste vê-lo e saber que ele se afastou do cinema. Lea Thompson está fantástica também, vive Lorraine mais velha e mais jovem e convense nas duas épocas, assim como Crispin Glover que diverte com seu George e manda muito bem como ator. Christopher Lloyd e seu Doc transborda carisma, e ele consegue com perfeição transmitir sua insanidade e a alegria deste cientista antológico na história do cinema.

obs: O filme venceu o Oscar de Melhor Efeitos Sonoros, além de ter sido indicado a vários prêmios importantes, como o Oscar de Melhor Roteiro Original e o Globo de Ouro e Bafta de Melhor Filme e Melhor Roteiro.
NOTA: 9,2
De Volta Para o Futuro 2 (Back To The Future Part II, 1989)

O filme começa exatamente do ponto em que o primeiro termina, fazendo algumas pequenas alterações como a personagem Jennifer Parker, namorada de Marty, que passa a ser interpretada pela jovem na época Elizabeth Shue (lembra?). Dr.Emmett vai atrás de seu assistente dizer que conseguiu outra façanha, viajar para o futuro e que eles precisam urgentemente serem transportados para lá, logo que o futuro filho de Marty passa por alguns problemas. Em 2015, onde carros voam e a tecnologia tomou conta do mundo, inclusive da fábrica têxtil, McFly percebe que a família Tannen ainda persegue a sua e ainda são grandes rivais e graçás a eles seu "filho" está a um passo de ser preso, mas devido a alguns incidentes ele consegue alterar o futuro dele, era para ser tranquilo, até que Marty descobre um "Almanaque de Esportes" sobre as principais vitórias ao decorrer da história e percebe como se dar bem na vida, o problema é que surge novamente o velho Biff Tannen que rouba sua idéia, consegue viajar no tempo e entrega o almanaque para si mesmo no passado.


Os atores continuam incríveis, Michael J.Fox parece se divertir até mais, tem a oportunidade de interpretar McFly, McFly mais velho e seus filhos e convense e diverte am todas as partes, além de brilhar a tela com seu extremo carisma. Christopher Lloyd também muito versátil e Doc contagia o público quando entra em cena. Lea Thompson mais uma vez reprisando sua adorável personagem e Thomas F.Wilson como Biff Tannen faz um vilão caricato, mas no ponto certo para divertir.

NOTA: 9,2
De Volta Para o Futuro 3 (Back To The Future Part III, 1990)

Mais uma vez, a sequência começa do ponto em que a anterior terminara, com a diferença de que foram filmadas simultaneamente e esta fora lançada apenas seis meses depois da segunda parte. Algo parecido ocorreu com "Piratas do Caribe- No Fim do Mundo" e "Matrix Revolution". Por um acidente, Dr.Emmett é lavado para um passado muito distante, 1885, mas consegue enviar uma carta para McFly para que não tente voltar no tempo para buscá-lo, seria muito arriscado. Doc conta que vivia como ferreiro na época do Velho Oeste para tentar consertar sua máquina, que aliás, a havia enterrado numa mina, é quando Marty vai atrás desta mina e reecontra o De Lorean, mas também encontra algo a mais, a sepultura de Doc dizendo que ele morrera num duelo contra Bufford Tannen, o fora-da-lei mais perigoso. E com a ajuda de Emmett de 1985, McFly consegue se transportar para o Velho Oeste com o intuito de salvar a pele do amigo, consegue algumas roupas antigas e se auto denomina de "Clint Eastwood".

A "Parte 3" me surpreendeu bastante, achei mesmo que uma hora ou outra o filme derrapasse, mas isso não aconteceu. De fato, este é o mais fraco de todos, mas isto jamais quer dizer que seje um filme ruim, muito pelo contrário. Ainda é um interessante projeto e Robert Zemeckis o guia com muita segurança e competência, sua história ainda é ótima, entretanto não possui aquelas idéias tão inovadoras que marcaram os dois primeiros, a trama é bem original mas não no mesmo nível das outras partes, é mais convencional.

Os atores mais uma vez acertam na composição de seus personagens. Michael J.Fox e Christopher Lloyd conseguiram o feito de construirem personagens históricos. Destaque também para Thomas F.Wilson como Bufford Tannen, mais uma vez o vilão da história, mostrando mais versatilidade como fora-da-lei, tendo a chance assim como Lea Thompson e J.Fox em mostrar em um só filme várias faces. Além das atuações, outro ponto positivo é composição da época, desde os figurinos e maquiagem, passando pelos ótimos cenários, e mesmo se tratando de uma comédia, mesmo que não fosse para ser levado a sério, a equipe não poupou esforços para fazer algo de qualidade.

NOTA: 9,0
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