quinta-feira, 24 de maio de 2018

17 filmes realistas sobre relacionamentos



Confesso que sempre gostei de ver filmes de romance. Até mesmo as comédias românticas...nunca neguei. No entanto, não são todos os títulos que representam muito bem a realidade e quando isso acontece a experiência acaba sendo ainda melhor. Pensando nisso, pensei em fazer esta lista com 17 obras que me marcaram justamente por trazerem uma visão mais honesta sobre relacionamentos, por evitar firulas e um romantismo desnecessário. Filmes que falaram a verdade, por mais dolorosa que seja. Filmes que conseguimos olhar para tela e nos ver ali, representados. 

por Fernando Labanca


17. Celeste e Jesse Para Sempre (2012)
Sony Pictures
O filme acompanha a vida de Jesse (Andy Samberg) e Celeste (Rashida Jones) que decidem, após um longo tempo juntos, se separar. No entanto, são mais do que um simples casal, eles são melhores amigos e por isso decidem fazer esta separação amigavelmente. O filme encanta pela naturalidade com que trata essa situação tão delicada e aos poucos vamos percebendo que este rompimento não está sendo fácil para nenhum dos dois. É gostoso de acompanhar essa cumplicidade entre eles, mas ao mesmo tempo é triste ver o quanto um completa o outro, mesmo que ambos nunca estejam no mesmo caminho, seguindo os mesmo passos.



16. Apenas uma Vez (2006)

Não existe aqui um romance explícito, na verdade só me dei conta do que realmente acontece na trama depois de rever a obra. E quando nos damos conta é um pouco doloroso sim. O filme pode ter outras interpretações, mas ao meu ver, "Apenas Uma Vez" diz muito sobre as chances que perdemos quando se trata de relacionamentos, sobre tudo aquilo que muitas vezes deixamos de falar. Sobre aquele momento rápido e intenso que vivemos ao lado de alguém e logo se apaga, logo se torna passado. 



15. Me Chame Pelo Seu Nome (2017)
Sony Pictures
Apesar de se tratar de uma realidade muito distante da nossa, a história de Elio e Oliver representa a história de muitas pessoas. Aquele amor de verão, que é tão intenso quanto verdadeiro. Aquela paixão não correspondida da forma como queríamos e a busca por encontrar uma pessoa que se doa tanto quanto nos doamos a ela. É aquela famosa parte que falta mas que não está tão preparada para nós. O instante final do filme é um soco na alma porque nos vemos ali, naquele olhar distante e devastado de Timothée Chalamet. "Me Chame Pelo Seu Nome" também revela, de forma bastante singela, uma fase de amadurecimento e em como aquele primeiro grande envolvimento com outra pessoa nos molda para experiências futuras.  



14. Eu Estava Justamente Pensando em Você (2014)
Imovision
Passado, presente e futuro. Um universo paralelo ou apenas um sonho. Mesmo que nunca seja claro como a história acontece, o filme é muito honesto ao mostrar a convivência entre duas pessoas. A espontaneidade das conversas aleatórias, as discussões acaloradas sem razão alguma para acontecer. Do início aventureiro, passando pelo amor intenso do desenvolver até o caótico término. Todas as fases que o casal enfrenta é fácil se identificar porque são reais e são verdadeiras em cada sentimento. 



13. Azul é a Cor Mais Quente (2013)
Imovision
Baseado em uma graphic novel, acompanhamos ao longo de vários anos o relacionamento entre duas garotas extremamente apaixonadas uma pela outra, Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux). O filme alcança um nível de realismo muito grande justamente por mostrar esta evolução das duas, em como esta relação as transforma em outras pessoas, mais agressivas, mais complexas. O filme também fala desta obsessão e como a simples possibilidade de um rompimento as destroem, deste medo que ambas sentem de viver uma sem a outra. 



12. Blue Jay (2016)
Netflix
"Blue Jay" nos revela o reencontro de um casal que não está mais junto. Em um final de semana, entre diálogos incrivelmente espontâneos, eles relembram a vida que dividiam. É lindo porque as lembranças deles são tão naturais que poderiam ser as lembranças de qualquer outro casal. As risadas, as lágrimas e toda a triste farsa que eles inventam como se ainda vivessem juntos, tudo nos encanta porque é honesto demais. 



11. Dois Lados do Amor (2013)
California Filmes
O mais interessante nesse filme é que ele foi dividido em duas partes, então temos a chance de ver a mesma história pelo olhar da mulher (Jessica Chastain) e do homem (James McAvoy). A obra mostra a vida de um casal que se separou após um trágico acontecimento. É emocionante e triste porque ao seu decorrer vamos tendo acesso às boas lembranças que eles tiveram e é sempre um baque ver o que eles eram e no que eles se transformaram anos depois, o que o amor fez com eles e o quanto um significa para o outro. 



10. Ponte Aérea (2014)
Paris Filmes
Filme nacional com Letícia Colin e Caio Blat, vemos um casal tentando se manter juntos apesar da distância. Mais do que debater esta dificuldade, o longa acerta ao falar sobre as relações líquidas e sobre esta facilidade que temos em descartar o que há pouco tempo nos preenchia. "Ponte Aérea" também mostra como duas pessoas nem sempre caminham juntas mesmo quando estão em um relacionamento. A distância aqui acaba sendo apenas um detalhe, porque mesmo quando estão perto, os dois personagens nunca estão no mesmo passo, não possuem os mesmos anseios e planos. Se amam, mas de alguma forma natural, estão sempre distantes.




09. Weekend (2012)
Festival Filmes
Leve e descompromissado, "Weekend" é muito real em sua proposta de mostrar dois homens que se conhecem e vivem uma história de amor com prazo de validade já marcado. Entre festas, bebidas e novos amigos, os dois vão vivendo sem saber como o fim poderia os afetar. A naturalidade das cenas o faz parecer um documentário sobre as relações modernas. 



08. Before We Go (2014)

Dirigido pelo ator Chris Evans - que também protagoniza ao lado da bela Alice Eve - "Before We Go" é um delicioso achado. O filme mostra as últimas horas que dois desconhecidos viveram em uma noite em Nova York. Entre diálogos espontâneos e discussões sobre a vida, passado, futuro e relacionamentos de cada um, nos apegamos aqueles dois indivíduos e torcemos para que algo de bom aconteça com eles. A obra, também, de certa forma é um relato intimista sobre essas pessoas que surgem, de repente, em nossas vidas e se tornam inesperadamente tão importantes. 



07. Antes do Amanhecer (1995)
Warner Bros.
Toda a Trilogia do Amanhecer (1995 - 2013) merecia estar nesta lista, mas vou citar apenas o primeiro capítulo aqui. O momento em que Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se conhecem e vivem um breve romance na Europa. O grande acerto do filme são os diálogos e como um vai conhecendo o outro e se apaixonando ao decorrer da viagem. É apaixonante este encontro e muito sincero em cada palavra pronunciada. 



06. Loucamente Apaixonados (2011)

Esse é um daqueles filmes adoráveis de se ver, que mostra com muita sensibilidade o começo de um namoro. No entanto, quanto mais a obra vai se aprofundando na vida do casal, que vivem em países diferentes, mais vamos sofrendo junto com eles. A cena final é dolorosa, porque é quando nos damos conta o tudo o que os dois enfrentaram juntos e tudo o que eles perderam no fim. 



05. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)
Universal Pictures
Mais do que ter um dos roteiros mais geniais desse século, o filme escrito por Charlie Kaufman fala tão bem sobre relacionamentos, sobre a dor de perder alguém e sobre aquele desconforto de ter que viver com as lembranças de uma época que não volta mais. A obra brinca justamente com essa ideia de como seria se pudéssemos ter a chance de apagar todos os momentos em que vivemos ao lado daquela pessoa que amávamos. O resultado de tudo isso é soberbo e apesar das "viagens" da trama, sabemos e sentimos o quanto tudo aquilo é real. A cena em que Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) se reencontram no final e se encaram no corredor é poderosa. Quando, enfim, aceitam os defeitos um do outro e aceitam que a vida a dois pode ser uma grande e fodida desgraça e...tudo bem que seja assim. 



04. Closer: Perto Demais (2004)
Columbia Pictures
"Closer" é um filme de romance que apaga todo o glamour de estar com alguém. É agressivo em suas ações e palavras. Seus personagens estão sempre feridos e ferindo uns aos outros. São quatro indivíduos que se cruzam e conhecemos um período em que se envolvem emocionalmente, entre traições e inúmeras mentiras. A obra, no fim, fala muito sobre confiança, sobre amar alguém a ponto de não querer saber todas as suas verdades, porque honestidade é bom mas muitas vezes machuca. 



03. Newness (2017)
Netflix
É o filme mais real que vi nos últimos anos quando se trata de relacionamentos. A obra é desconfortavelmente atual e relata com muita honestidade como é dividir a vida com alguém no tempo das redes sociais e no tempo onde tudo é muito efêmero, rápido e descartável. É muito verdadeiro a história entre Gabi (Laia Costa) e Martin (Nicholas Hoult) e tudo o que eles vivem em cena. Desde o primeiro encontro até as intensas brigas e as soluções que criam para reacender a paixão que vão perdendo no meio do caminho. É muito fácil se identificar com tudo o que vemos aqui. 



02. 500 Dias Com Ela (2009)
Fox Film do Brasil
Apesar do humor e dos toques fantasiosos, poucos filmes falaram tão bem sobre o que é estar com alguém, sobre se apaixonar e principalmente, sobre romper. O filme trouxe um conceito interessante sobre expectativa e realidade e revelou, com bastante maturidade, que nem sempre a parte que encontramos é a parte que nos falta. Os protagonistas Tom (Joseph Gordon-Levitt) e Summer (Zooey Deschanel) se tornaram referência quando falamos de relação a dois justamente porque o filme é um retrato muito preciso dos tipos que existem dentro de um relacionamento. Você, com certeza, já foi ou ainda será Tom ou Summer. 



01. Namorados Para Sempre (2010)
Paris Filmes
Um dos romances mais melancólicos já produzidos, o longa parece completamente descrente na vida a dois. Só há um único momento feliz na história dos personagens vividos por Michelle Williams e Ryan Gosling, o resto desta jornada é dolorosa, onde duas pessoas que tanto se amam se tornam tóxicas, cruéis e indispostas a tornarem aquela relação possível. É triste, mas infelizmente, um retrato muito real sobre relacionamentos. 


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Crítica: Ingrid Vai Para o Oeste

hashtag quanto a foto que você posta diz sobre você? broken heart emoji.

por Fernando Labanca

"Ingrid Goes West" é uma comédia dark, que de tão trágica não conseguimos rir. Nos faz questionar se deveríamos ver humor em tudo o que nos revela. Ao seu fim, me senti diante de tudo o que não esperava...atingido por um drama denso, reflexivo e tão humano quanto perturbador. Se trata de uma trama que nos afeta justamente por ser tão próxima de nós, por falar sobre algo que vemos todos os dias. E que, apesar de seus exageros e bizarrices, é sim sobre todos nós, sobre as mentiras que dizemos a nós mesmos. Sobre a pessoa que inventamos e tentamos vender nas redes sociais. É um retrato triste sobre a modernidade e as consequências de se viver cercado que tudo que não é mais real. 

Aubrey Plaza interpreta Ingrid, uma jovem viciada em aplicativos. Passa suas horas curtindo fotos, vendo vídeos e interagindo com pessoas que desconhece. Dona de uma grande herança deixada por sua mãe, que faleceu recentemente, decide investir seu dinheiro em uma viagem para Los Angeles, lugar que reside Taylor Sloane (Elizabeth Olsen), uma nova influencer digital. Apaixonada pelo estilo de vida cool e descolado de sua musa, Ingrid coloca em prática um bizarro plano de aproximação, tentando aos poucos fazer parte daquela rotina, se tornando aquilo que ela tanto admira e que só era real nas fotos que curtia. 


Ainda que traga uma visão cômica dessa situação, é estranhamente desconfortável e assustador todo o desenvolver da trama. É muito crível, também, principalmente quando entra em cena Taylor e este estilo de vida que fica tão belo no perfil do Instagram. Curioso como, de longe, ela é uma pessoa extremamente fantástica e que, sim, também gostaríamos de ser amigos dela, no entanto, quanto mais conhecemos sobre sua rotina, seu passado e seus relacionamentos, mais percebemos o quanto tudo é vazio, sem sentido. O filme, então, reflete o tempo inteiro sobre essa dupla personalidade. De Ingrid que se transforma para fazer parte de uma vida que não é sua, enquanto seu parceiro de cena, interpretado pelo carismático O'Shea Jackson Jr., tem como grande inspiração o Batman, aquele que cria uma outra identidade para ser herói. Temos ainda o personagem Ezra (Wyatt Russell), um artista que se recusa a vender seu trabalho nas redes sociais, como se isso o fizesse perder sua integridade. 

Se desde o início, julgamos as estranhas atitudes da protagonista, a ironia de "Ingrid Goes West" vem quando nos damos conta de que no fim Taylor não é tão diferente dela. Tirando o fator sociopata - que lembra a obsessão de O Talentoso Ripley -, ela também cria uma outra versão de si mesma para parecer mais interessante nas redes sociais. Ela se auto promove constantemente, tentando vender esta vida tranquila, livre, bela e sem problemas. É bizarro o momento em que Taylor faz um homem se abaixar na rua para tirar uma boa foto dela. Como se sua vida real fosse os bastidores e o que acontece no Instagram fosse a parte que importa. Uma boa viagem, amigos, um bom prato de comida. Nada existe se não for registrado. E nada é bom o suficiente se não tiver a luz e o enquadramento perfeito. Isso é chocante, mas nos assusta porque essa identidade que ela constrói para si é a identidade que construímos para nós mesmos, todos os dias, em cada novo post, em cada novo storie. As críticas da obra são dolorosas porque estão mais perto de nós do que gostamos de admitir. 

Apesar de ser seu primeiro longa-metragem, Matt Spicer, que lançou sua obra no Festival de Sundance, faz tudo com a qualidade de um veterano. Um filme muito bem construído, com um roteiro que vai crescendo e se tornando mais complexo e com resoluções cada vez mais complicadas. A trilha sonora também se destaca, assim como a fotografia e a excelente montagem. Aliás, é muito verossímil todo este universo que a produção cria, desde o desenvolvimento desses influencers digitais, com seus figurinos, roupas e objetos que compõe tudo isso. Aubrey Plaza, que sempre esteve ligada a comédia, encontra aqui o espaço para mostrar que pode ir além disso. Toda a loucura, solidão e obsessão de Ingrid ganha força por sua surpreendente composição. Temos ainda uma Elizabeth Olsen que preenche a tela quando aparece. Mais do que carisma, ela traz uma enorme verdade a sua personagem e por mais errado que seja, sentimos empatia por ela. Mais um trabalho fantástico da atriz. 

"Ingrid Goes West" encontra, ainda, um ótimo final. Não poderia ter terminado de outra forma e é ótimo quando sentimos isso de um filme. Nos faz pensar, com todas as suas bizarrices, no que a tecnologia tem nos transformado. Em tudo o que mudou com a acessibilidade das redes sociais. Nos faz refletir sobre essas necessidades banais que passamos a ter. Sobre os heróis banais que passamos a seguir e a idolatrar. Uma comédia sobre o nosso tempo, sobre nossa geração. Seria lindo se pudéssemos rir de tudo isso. Mas é triste e assustador demais para isso.

NOTA: 8,5


País de origem: EUA
Título Original: Ingrid Goes West
Ano: 2017
Duração: 97 minutos
Distribuidor: -
Diretor: Matt Spicer
Roteiro: Matt Spicer, David Branson Smith
Elenco: Aubrey Plaza, Elizabeth Olsen, O'Shea Jackson Jr., Wyatt Russell, Billy Magnussen, Pom Klementieff




segunda-feira, 7 de maio de 2018

Filmes vistos em abril


Abril acabou e com isso, faço mais um post aqui no blog, relembrando os filmes que vi durante esse mês. Aproveito, também, para dar essas dicas, caso estejam a procura do que assistir! Deixem nos comentários algo que tenham visto e vale a pena compartilhar!

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Crítica: A Ghost Story

Um melancólico conto sobre a morte. 

por Fernando Labanca

"A Ghost Story" me pegou de surpresa. Não sabia o que esperar, apesar de já ter ouvido inúmeros elogios de outras pessoas. Foi um baque. Um choque lento, doloroso e que me fez ter a certeza de que estava diante de algo diferente de tudo o que já vi. Ora drama, ora um assombroso conto de terror. O diretor David Lowery (Amor Fora da Lei), que tem ainda uma carreira curta em longas-metragens, traz alguns traços curiosos que remetem a autenticidade de uma HQ e esta liberdade cartunesca. Seu protagonista é um fantasma que usa um lençol com buracos nos olhos e o filme caminha praticamente todo em silêncio. O poder da obra está em seu visual e é um jogo que funciona. Suas sequências flutuam com a mesma facilidade que nosso olhar flutua pelas páginas em quadrinhos. É um produto feito de belas imagens e que nos atinge fortemente. Que nos impacta com o vazio, nos faz refletir sobre a vida e nos faz sentir tão pequenos diante dela. 


terça-feira, 24 de abril de 2018

Crítica: Um Lugar Silencioso

Quando o silêncio fala muito. 

por Fernando Labanca

O terror tem passado por uma bela fase de renovação. Chamem de post horror ou chamem como preferirem, a questão é que o público sai beneficiado com isso. Há muito tempo não víamos uma sequência de filmes do gênero tão boa quanto agora. "Um Lugar Silencioso" é mais um a entrar nessa lista e é mais uma obra que você, definitivamente, precisa assistir. Este é apenas o segundo longa-metragem de John Krasinski, conhecido por interpretar Jim Halpert na série The Office (2005-2013), que surpreende ao entregar um produto de extrema qualidade, revigorante, esperto e de uma sensibilidade admirável. Ele navega com cuidado entre o susto e o drama em uma trama onde seus personagens necessitam do silêncio para sobreviver. É o tipo de história que requer, além de criatividade, uma boa dose de coragem e ousadia. Krasinski provou ter tudo isso.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Crítica: Newness

Quase nenhum filme soube falar tão bem como é ter um relacionamento nos tempos atuais como este. 

por Fernando Labanca

O diretor Drake Doremus (Like Crazy, Equals) tem um olhar muito peculiar sobre relações amorosas. Além de trazer muita sensibilidade para suas histórias, há sempre um realismo extremo que tornam seus personagens e as situações em que vivem tão próximos de nós. "Newness" pode não ser uma obra-prima do cinema e presente no catálogo extenso da Netflix, pode até não alcançar tanta gente. No entanto, há algo que precisamos considerar que é um grande feito aqui, sua honestidade ao falar sobre amor. Não me lembro a última vez em que vi um filme que falou tão bem sobre isso, que expôs, com tamanha verdade, o que é dividir a vida com alguém. 

Aqui os protagonistas se conhecem como itens de uma enorme vitrine. Como produtos a serem logo descartados. Quase que viciados em aplicativos de encontros, Martin (Nicholas Hoult) e Gabi (Laia Costa) buscam uma transa rápida, algo que lhes traga uma satisfação momentânea. Quando o match, enfim, acontece, a química entre os dois é nítida, o que inevitavelmente acaba fluindo para uma relação. Um tempo depois, passam a dividir o mesmo apartamento, porém, sem grandes surpresas, a vida entre eles alcança o tédio e em uma tentativa de reascender o que sentiam no começo, decidem abrir o relacionamento, lhes permitindo conhecer outras pessoas, fugindo assim, da mesmice que um casamento pode ser. 


terça-feira, 10 de abril de 2018

Crítica: Pequena Grande Vida

Vendido como comédia e com cara de um cinema mais comercial, "Pequena Grande Vida" surpreende ao ser exatamente o que não parece ser: maduro,  reflexivo e profundamente humano. 

por Fernando Labanca

Alexander Payne, diretor de filmes como "Sideways" (2004) e "Nebraska" (2013), parece compreender tão bem os humanos. E mesmo identificando suas piores falhas, suas obras sempre me soaram como uma busca pelo o que há de melhor na humanidade. Há um olhar esperançoso em seus roteiros que se esforça em dizer, dentro de tantas críticas sociais, que há beleza em cada indivíduo. "Downsizing" talvez seja um convite. Um convite a olharmos os outros com pouco mais de cuidado. O problema começa quando, além disso, ele resolveu falar sobre muitas outras coisas. Alexander Payne tem boas intenções, mas são tantas que nem mesmo ele encontrou a linha certa a seguir, se perdendo em suas próprias ideias. 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Crítica: Com Amor, Simon

"Love, Simon" é teen, leve e despretensioso. No entanto, não deixa de ter um significado muito grande nos tempos de hoje. Seu recado é poderoso, importante e necessário. 

por Fernando Labanca

Chamar um filme de milagroso é muita coisa. Até exagero. "Com Amor, Simon", porém, merece esse elogio. Acima de qualquer coisa, estamos falando de uma obra que tem o poder de atingir muita gente. Ao narrar a jornada de um jovem que não tem a coragem de se assumir gay, o longa acaba falando com e por muitos adolescentes que enfrentam ou já enfrentaram este processo. Um processo de aceitação doloroso, difícil e que requer muita coragem. É bom quando uma sociedade evolui e filmes como este são possíveis. Quando um personagem representa, inspira e se torna referência para aqueles que temem agir igual. Simon, então, se torna a voz de quem quer dizer, mas falta a força. Simon é aquele bom amigo que diz: "vai dar tudo certo". Parece pouco, mas é tudo para quem até agora não tinha ouvido essas palavras do cinema. E precisava ouvir. Muita gente precisa ouvir. O que o roteiro diz aqui é grande e precisa ser dito em alto e bom som.


quinta-feira, 29 de março de 2018

Filmes vistos em março


Voltando a falar sobre os filmes que vi durante o mês. A ideia é fazer um breve resumo do que achei das obras, que por fim não terão críticas aqui no blog, e aproveitar e dar dicas do que assistir. Aproveitem e deixem nos comentários algo que viram em março e recomendam.